Por Reitardado
Ator, diretor, cineasta, produtor e empresário há mais de 60 anos, José Mojica Marins finalmente foi reconhecido em solo nacional. Zé viu seu último filme “Encarnação do Demônio” ganhar tudo no 1º Festival Paulínia de Cinema. Melhor filme, montagem, fotografia, trilha sonora, direção de arte e edição de som, por seis vezes as enormes unhas do personagem de terror mais satirizado pela mídia tupiniquim levantaram o troféu Menina de Ouro.
“Encarnação do Demônio” é o ‘the end’ da trilogia que começou com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1963) e “Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver” (1966). Marins dirigiu 33 filmes na sua carreira, mais da metade deles foram feitos após o segundo da trilogia em questão. Os planos do artista em finalizá-la sempre foram atrapalhados pelo desinteresse das iniciativas pública e privada além da morte de dois produtores durante as tentativas frustradas de filmar “Encarnação do Demônio” na década de 80.
Discriminado por aqui, amado por muitos acolá. Não por acaso, a maioria dos trailers de filmes de José Mojica Marins que você acha no ‘youtube’ tem legendas gringas. Na Europa e na América dos filmes de Hollywood, José Mojica Marins sempre foi muito elogiado e premiado. Fazem parte da sua lista de fãs, gente como Quentin Tarantino (Pulp Fiction e Kill Bill), Frank Miller (Sin City, 300), Henry Rollins (ex-Black Flag e crítico de TV), Jerry Only e Glen Danzig (Misfits), Stephen King e os quatro Ramones de Nova York.
Seu único talento é ser o melhor no pior. Cinema primitivo, celeiro de revelações artísticas de bons atores/ atrizes, maquiadores e músicos. Parece fácil, mas tente filmar “Godzilla” com bonecos de massa, atores desconhecidos, bandas fazendo a trilha sonora com instrumentos que nem o Supla usaria. Edite no Windows Moviemaker.
José Mojica Marins sempre passou despercebido pela elite nacional, só fora lembrado algumas vezes pela censura da ditadura militar e pelos ótimos apresentadores de televisão do país que faziam questão de criar uma imagem cômica do diretor e de seus personagens. O coveiro mais famoso do Brasil se via obrigado a conviver com as anedotas de gente expressiva e culta como Gugu Liberato, Hebe Camargo, Ratinho e Otávio Mesquita, afinal a publicidade gratuita nunca seria desperdiçada por quem assume um compromisso com o “povão” de fazer cinema. Até filmes pornôs ele dirigiu e atuou.
A Globo é campeã em fazer o melhor do pior, mas gasta fortunas nas suas novelas. Já está na hora deles contratarem gente como o Zé. Que ele consiga ensinar os diretores da vênus platinada a cortarem (em uma estimativa pouco animadora) metade do orçamento das novelas. Assim, quem sabe os filhos do Marinho não investem um pouco mais em jornalismo de qualidade.

Julho 16, 2008 em 4:40 pm
Alto nível no Blog!
Julho 16, 2008 em 4:42 pm
alto nível aqui no blog!
bem-vindo Reitardado!
Julho 16, 2008 em 8:37 pm
huaahuahuahua…reitardado,é seu parente ou a semelhança esta apenas na sujeira?!?